domingo, 22 de fevereiro de 2015

Colóquio de Amor - Poema de Santa Teresa de Jesus


"Deus meu, se o amor que me tendes É como o amor que vos tenho, Dizei: por que me detenho? Ou Vós, por que vos detendes?

- Alma, que queres de mim? 

- Deus meu, não mais do que ver-vos.

- E tu temes? Como assim? 

- O que mais temo é perder-vos. 

Uma alma em Deus escondida, Que mais tem que desejar? Senão sempre amar e amar, E, no amor toda incendida, Tornar-vos de novo a amar? Oh! dai-me, Deus meu, carinho! Oh! dai-me amor abrasado, E eu farei um doce ninho Onde for de vosso agrado."

S. Teresa de Jesus

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Stabat Mater Dolorosa



Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa dum pendebat Filius
De pé, a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, via o filho que pendia.

Cuius animam gementem contristatam et dolentem pertransivit gladius
Na sua alma agoniada enterrou-se a dura espada de uma antiga profecia.

O quam tristis et afflicta fuit illa benedicta Mater Unigeniti
Oh! Quão triste e quão aflita entre todas, Mãe bendita, que só tinha aquele Filho.

Quae moerebat et dolebat Pia Mater dum videbat nati poenas inclyti
Quanta angústia não sentia, Mãe piedosa quando via as penas do Filho seu!

Quis est homo qui non fleret Matri Christi si videret in tanto supplicio?
Quem não chora vendo isso: contemplando a Mãe de Cristo num suplício tão enorme?

Quis non posset contristari Matrem Christi contemplari dolentum cum filio?
Quem haverá que resista se a Mãe assim se contrista padecendo com seu Filho?

Pro peccatis suae gentis vidit Iesum in tormentis et flagellis subditum
Por culpa de sua gente, viu Jesus inocente ao flagelo submetido.

Vidit suum dulcem natum moriendo desolatum dum emisit spiritum
Vê agora o seu amado pelo Pai abandonado, entregando seu espírito.

Eia Mater, fons amoris, me sentire vim doloris fac ut tecum lugeam
Faz, ó Mãe, fonte de amor que eu sinta o espinho da dor para contigo chorar.

Fac ut ardeat cor meum in amando Christum Deum ut sibi complaceam
Faz arder meu coração do Cristo Deus na paixão para que o possa agradar.

Sancta Mater, istud agas crucifixi fige plagas cordi meo valide
Ó Santa Mãe, dá-me isto: trazer as chagas de Cristo gravadas no coração.

Tui nati vulnerati tam dignati pro me pati poenas mecum divide
Do teu filho que, por mim, entrega-se à morte assim, divide as penas comigo.

Fac me tecum pie flere crucifixo condolere donec ego vixero
Oh, dá-me, enquanto viver, com Cristo compadecer chorando sempre contigo.

Iuxta crucem tecum stare et me tibi sociare in planctu desidero
Junto à cruz eu quero estar, quero o meu pranto juntar às lágrimas que derramas.

Virgo virginum praeclara mihi iam non sis amara fac me tecum plangere
Virgem, que às virgens aclara, não sejas comigo avara: dá-me contigo chorar.

Fac ut portem Christi mortem passionis fac consortem et plagas recolere
Traga em mim do Cristo a morte, da Paixão seja consorte, suas chagas celebrando.

Fac me plagis vulnerari fac me cruce inebriari et cruore filii
Por elas seja eu rasgado, pela cruz inebriado, pelo sangue de teu Filho!

Inflammatus et accensus, per te, Virgo, sim defensus in die iudicii
No Julgamento consegue que às chamas não seja entregue quem por ti é defendido.

Christe cum sit hinc (iam) exire da per matrem me venire ad palmam vicoriae
Quando eu do mundo partir, dai-me, ó Cristo, conseguir por vossa Mãe a vitória

Quando corpus morietur fac ut animae donetur paradisi gloria. Amen.
Quando meu corpo morrer, possa a alma merecer do Reino Celeste a glória. Ámen.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Pai Nosso de Santa Matilde


Um dia em que Santa Matilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima a fim de que Ela servisse para a libertação das Almas do Purgatório, com a remissão dos seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que Eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou a Santa Matilde as intenções do Pai Nosso Pelas Almas. E quando Santa Matilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de Almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de Almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres Almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU 
Peço-Vos humildemente: Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, 
que perdoeis às Almas do Purgatório, por não Vos terem amado nem prestado toda a honra que Vos é devida, a Vós, Seu Senhor e Pai, que por pura graça as adoptastes como Vossas filhas. Pelo contrário, por causa dos pecados, fecharam os seus corações onde Vós queríeis habitar para sempre.
Em reparação destas faltas, ofereço-Vos o amor e a veneração que o Vosso Filho Encarnado Vos testemunhou ao longo da Sua Vida terrestre e ofereço-Vos todos os actos de penitência e de reparação que Ele cumpriu e pelos quais apagou e expiou os pecados dos homens.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome: elas pronunciaram-No muitas vezes distraidamente e tornaram-se indignas do nome de cristãos pela sua vida de pecado.
Em reparação das faltas que cometeram, ofereço-Vos toda a honra que o Vosso Filho Bem-Amado rendeu ao Vosso Nome, por palavras e actos ao longo de toda a Sua Vida terrestre.

VENHA A NÓS O VOSSO REINO
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório porque não procuraram nem desejaram o Vosso Reino, com intenso fervor e empenho, este Reino que é o único lugar onde reina o verdadeiro repouso e a paz eterna.
Em reparação pela indiferença em fazer o bem, ofereço-Vos o desejo do Vosso Divino Filho através do qual Ele quis ardentemente torná-las, a elas também, herdeiras do Seu Reino.

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório por não se terem sempre submetido com devoção à Vossa Vontade. Elas não procuraram cumprir a Vossa Vontade em todas as coisas e muitas vezes cederam a agiram fazendo unicamente a sua própria vontade.
Em reparação da sua desobediência, ofereço-Vos a perfeita conformidade do Coração cheio de Amor do Vosso Filho à Vossa Santa Vontade e a submissão total que Ele Vos testemunhou obedecendo-Vos até à Sua Morte na Cruz.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório por não terem recebido sempre o Santo Sacramento da Eucaristia com intenso desejo. Receberam-No muitas vezes sem recolhimento , sem amor, ou indignamente ou mesmo negligenciando recebê-Lo.
Em reparação de todas estas faltas que cometeram, ofereço-Vos a plena santidade e o grande recolhimento de Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Divino Filho, bem como o ardente amor, através dos quais nos ofereceu este dom incomparável.

PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório todas as faltas de que se tornaram culpadas sucumbindo aos sete pecados capitais e também quando não quiseram amar, nem perdoar aos seus inimigos.
Em reparação de todos estes pecados, ofereço-Vos a Oração cheia de Amor que o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor dos seus inimigos quando estava na Cruz.

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório, porque muitas vezes não resistiram às tentações e paixões, mas seguiram o Inimigo de todo o bem e abandonaram-se às fraquezas da carne.
Em reparação de todos estes pecados em múltiplas formas, dos quais se reconhecem culpadas, ofereço-Vos a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe ao mundo assim como a Sua Vida Santíssima, o Seu trabalho e penas, o Seu sofrimento e a Sua Morte crudelíssima.

MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, livrai-nos de todos os flagelos, pelos méritos do Vosso Filho Bem-Amado e conduzi-nos, bem como às Almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória eterna, que se identifica conVosco.

Ámen

S. Faustina e a Visão do Inferno


"Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: 

O primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; 

O segundo, o contínuo remorso de consciência; 

O terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca;

O quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus; 

O quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demónios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu;

O sexto é a continua companhia do demónio; 

O sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfémias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos.

Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, ...de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a omnipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou a escrever isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.


Eu Irmã Faustina por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas a pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão, é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não me podia refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. "Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja."


Diário de Santa Faustina. N° 741

Oração de Natal de S. Bernardo de Claraval


Deixa que a Tua bondade, Senhor, venha sobre nós,

Tu que nos fizestes à Tua imagem, conforma-nos a ela. 

Em nossa própria força, não podemos imitar a Tua majestade, poder e admiração 

nem é apropriado para nós tentá-lo.

Mas a Tua misericórdia estende-se desde os céus 

através das nuvens para a terra.

Tu viestes para nós como uma criança pequena, 

mas que nos trouxe o maior de todos os dons, 

o dom do amor eterno 

Acaricia-nos com Tuas pequenas mãos, 

abraça-nos com Teus pequenos braços 

e fura os nossos corações com Teus gritos suaves e doces.

Ámen

São Bernardo de Claraval

S. Padre Pio e o Papa Pio XII


Certa vez, Padre Pio disse a um sacerdote que ia viajar para Roma: “Diga a Sua Santidade (Pio XII) que com gosto ofereço a minha vida por ele”. Quando morreu Pio XII, Padre Pio também chorava desconsoladamente. No dia seguinte da morte, já não chorava mais e perguntaram-lhe então: “Padre, já não chora pelo Papa?” -“Não”, respondeu-lhes, “pois Cristo já mo mostrou em Sua glória”.

Oração do Abandono do B. Charles de Foucauld


Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criastes,
Nada mais quero, meu Deus.

Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és... 
Meu Pai!

B. Charles de Foucauld

Acto de abandono a Nossa Senhora de S. Bernardo de Claraval


Doce Virgem Maria, minha augusta Soberana! Minha amável Senhora! Minha boníssima e amorosíssima Mãe!

Doce Virgem Maria, coloquei em Vós toda minha esperança, e não serei em nada confundido. Doce Virgem Maria, creio tão firmemente que do alto do Céu Vós velais dia e noite por mim e por todos os que esperam em Vós, e estou tão intimamente convencido de que jamais faltará coisa alguma quando se espera tudo de Vós, que resolvi viver para o futuro sem nenhuma apreensão, e descarregar inteiramente em Vós todas as minhas inquietações.

Doce Virgem Maria, Vós me estabelecestes na mais inabalável confiança. Oh, mil vezes Vos agradeço por um favor tão precioso! Doravante habitarei em paz em vosso coração tão puro; não pensarei senão em Vos amar e Vos obedecer, enquanto Vós mesma, boa Mãe, gerireis meus mais caros interesses.

Doce Virgem Maria! Como, entre os filhos dos homens, uns esperam a felicidade de sua riqueza, outros procuram-na nos talentos! Outros apoiam-se sobre a inocência de sua vida, ou sobre o rigor de sua penitência, ou sobre o fervor de sua preces, ou no grande número de suas boas obras. Quanto a mim, minha Mãe, esperarei em Vós somente, depois de Deus; e todo fundamento de minha esperança será sempre minha confiança em vossas maternais bondades.

Doce Virgem Maria, os maus poderão roubar-me a reputação e o pouco de bem que possuo; as doenças poderão tirar-me as forças e a faculdade exterior de Vos servir; poderei eu mesmo — ai de mim, minha terna Mãe! — perder vossas boas graças pelo pecado; mas minha amorosa confiança em vossa maternal bondade, jamais — oh, não! — jamais a perderei. Conservarei esta inabalável confiança até meu último suspiro. Todos os esforços do inferno não ma arrebatarão. Morrerei repetindo mil vezes vosso nome bendito, fazendo repousar em vosso Coração toda minha esperança.

E por que estou tão firmemente seguro de esperar sempre em Vós? Não é senão porque Vós mesma me ensinastes, dulcíssima Virgem, que Vós sois toda misericórdia e somente misericórdia.

Estou pois seguro, ó boníssima e amorosíssima Mãe! Estou certo de que Vos invocarei sempre, porque sempre Vós me consolareis; de que Vos agradecerei sempre, porque sempre me confortareis; de que Vos servirei sempre, porque sempre me ajudareis; de que Vos amarei sempre, porque Vós me amareis; de que obterei sempre tudo de Vós, porque sempre vosso liberal amor ultrapassará minha esperança.

Sim, é de Vós somente, ó doce Virgem Maria, que, apesar de minhas faltas, espero e aguardo o único bem que desejo: a união a Jesus no tempo e na eternidade. É de Vós somente, porque sois Vós quem meu Divino Salvador escolheu para me dispensar todos os Seus favores, para me conduzir seguramente a Ele. Sim, sois Vós, minha Mãe, que, após me terdes ensinado a compartilhar as humilhações e sofrimentos de vosso Divino Filho, me introduzireis em Sua glória e em Suas delícias, para O louvar e bendizer, junto a Vós e convosco, pelos séculos dos séculos.

Assim seja

São Bernardo de Claraval

Pensa em Maria, invoca Maria


Nos perigos, nas angústias, em todos os momentos de dúvida, pensa em Maria, invoca Maria

Seguindo esta Estrela, não te desviarás.Que este nome sagrado não se afaste do teu coração e não falte jamais nos teus lábios.

Se a invocares com humildade, não desesperarás.

Se pensares em Maria, não errarás.

Se ela estiver contigo, não cairás.

Se te proteger, nada temerás.

Com ela, como guia, não te fatigarás.

Se te for propícia, chegarás à meta, firme e seguro.

Quem quer que sejas, sacudido pelo vendaval das tempestades deste mundo, sentindo a terra como um mar devorador, não afastes os olhos do fulgor desta Estrela.

Quando soprar o vento tempestuoso e traiçoeiro da tentação, quando te sentires batido contra os escolhos perigosos da tribulação, olha para a Estrela e invoca Maria.

Se te açoitarem as ondas da soberba, da inveja, da maledicência, olha para a Estrela, invoca Maria.

Quando sentires a ira, a avareza, a carne e a tristeza tentarem fazer soçobrar a barquinha frágil de tua alma, olha para a Estrela, invoca Maria…

São Bernardo de Claraval

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Rolando Rivi: Um jovem seminarista assassinado por não deixar a batina



Rolando Rivi nasceu em 7 de Janeiro de 1931 na casa chamada “del Poggiolo” em San Valetino, uma pequena cidade vizinha a Castellarano, na província de Reggio Emilia, filho de Roberto Rivi e Albertina Canovi. No dia seguinte ao nascimento os pais o baptizaram com o nome de Rolando. Antes de sair da igreja, levaram-no diante do altar de Nossa Senhora e deram-lhe também Seu nome, de modo que o pequeno se chamou Rolando Maria Rivi.

A família do lado materno era conhecida na região pela honestidade, a laboriosidade e, sobretudo, pela profunda fé católica, o que lhes valia o apelido de “os Pater”, em referência ao “Pater noster”, que eles recitavam frequentemente, com o terço do rosário entre as mãos. O pai de Rolando, Roberto, militante da então gloriosa Acção Católica, era também muito religioso, assíduo à Santa Missa, que frequentava com devoção particular segundo o convite do Santo Pontífice Pio X.

Rolando era um menino sadio e exuberante. Essa própria vivacidade preocupava algumas vezes os pais e a avó, a qual mais do que ninguém conhecia seu temperamento e costumava dizer: “Rolando se tornará um bandido ou um santo! Não pode percorrer um caminho mediano…”.


Em Janeiro de 1934, morre o pároco de San Valentino, Dom Iemmi, e em maio do mesmo ano assume como novo pároco Dom Olinto Marzocchini, que tinha então 46 anos. Sacerdote zeloso no seu ministério torna-se para o pequeno Rolando um ponto de referência fundamental. Quando assistia à Missa, o menino não perdia um gesto do sacerdote e com isso muito pequeno começou a ajudar como acólito.

Dom Olinto era um verdadeiro padre: passava longas horas em oração diante do Santíssimo, cuidava meticulosamente do catecismo das crianças, instruía os acólitos para o serviço do altar e investia bastante em um coro para dar solenidade à liturgia. Foi através dele que Rolando começou a amar a Jesus e a descobrir que Ele habitava, Vivo, no Tabernáculo.


Em Outubro de 1937, Rolando começou a escola elementar. Sua professora, Clotilde Selmi, mulher também muito devota, falava muitas vezes de Jesus aos meninos e sempre os convidava à Adoração Eucarística.

Na paróquia, a catequista de Rolando era Antonietta Maffei, delegada das crianças da Acção Católica, que preparava com escrúpulo as “reuniões semanais”, como se chamavam então. Graças também a ela, Rolando foi admitido a receber a Eucaristia logo em Junho, porque estava entre as crianças mais bem preparadas e mais ansiosas por comungar. Isso lhe proporcionou uma grande alegria e em 16 de Junho de 1938, festa de Corpus Christi, recebeu a Jesus pela primeira vez.

As testemunhas concordam sobre o fato de que, após a Primeira Comunhão, Rolando mudou. Embora permanecendo um garoto vivaz, os familiares notaram nele uma maturação profunda, que se acentuou após ter recebido a Crisma, em 24 de Junho de 1940.

Costumava se aproximar todas as semanas da Confissão e levantar-se muito cedo de manhã para servir à Missa e receber a Comunhão, convidando também os companheiros a fazer o mesmo:“Venham – dizia-lhes – Jesus nos espera. Jesus quer isso”.

Afirmava que o sacerdote sobre o altar, quando consagrava o pão e o vinho, lhe parecia tão grande que tocava o céu. Foi assim que a chamada ao sacerdócio se fez cada vez mais intensa, acompanhando-o por todo o ciclo da escola elementar, até quando, com 11 anos, disse aos pais: “Quero ser padre, para salvar muitas pessoas. Depois, partirei como missionário para fazer conhecido Jesus muito longe.”

Entrou no Seminário de Marola no Outono de 1942 e, como se costumava naquele tempo, vestiu logo a batina. Orgulhava-se dela e foi ainda esse amor que causou seu fim…

No período transcorrido no seminário, o rapaz se distingue pela diligência, mantendo sempre firme decisão de tornar-se sacerdote. Quando voltava a sua casa, ajudava os pais nos trabalhos do campo e na igreja tocava o harmónio, acompanhando o coro paroquial, no qual cantava também seu pai.

Entrementes, a guerra se fazia cada vez mais áspera, mesmo porque justamente naquela zona montanhosa havia a presença de formações partigiane, criadas depois da queda do fascismo, que tinha levado à ocupação da península pelos alemães. À parte grupos minoritários de católicos democráticos, as fileiras partigiane eram compostas de comunistas, socialistas, e outros, unidos por uma forte ideologia anticatólica.

A ala mais extrema, a comunista, não se limitava a combater os alemães. Via no clero uma perigosa barragem para o próprio projecto revolucionário. O anticlericalismo tornou-se violento e cada dia mais ameaçador. Quando em 1944, os alemães ocupam o seminário de Marola, todos os jovens tiveram que voltar para casa, levando consigo os livros para poder continuar a estudar. Rolando continuou a considerar-se seminarista: além de estudar, frequentava quotidianamente a Missa e a Comunhão, recitava o rosário, meditava, visitava o Santíssimo Sacramento.

Embora tivesse sido aconselhado a fazer de outro modo, não deixou de usar seu hábito religioso: os pais, de fato, lhe diziam: “Tire a batina. Não a use por enquanto…” Mas Rolando respondia: “Mas porque? Que mal faço em usa-la? Não tenho motivo para tira-la”. Fizeram-lhe notar que provavelmente era melhor tira-la naquele momento tão inseguro. Replicou Rolando: “Eu estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus”. Um ato de amor que ele pagará com a vida.

Em San Valentino, primeiramente foi visado o pároco Padre Marzocchini. Uma manhã se veio a saber que alguns partigiani , durante a noite precedente, tinham-no agredido e humilhado. Como outros sacerdotes (Padre Luigi Donadelli, Pe.Luigi Ilariucci, Pe. Aldemiro Corsi e Pe.Luigi Manfredi) tinham sido assassinados pelos partigiani comunistas, o Pe. Marzocchini foi colocado em um lugar mais seguro e substituído na paróquia por um jovem Padre Alberto Camellini. Em 1º. de Abril, todavia, o Pe. Marzocchini quis retornar à paróquia em San Valentino, mas a seu lado permaneceu o jovem sacerdote Padre Camellini, para com o qual Rolando tinha demonstrado logo grande simpatia. Em 10 de Abril, quarta feira depois da Domenica in Albis, de manhã bem cedo, o rapaz já estava na igreja: celebrava-se a Missa cantada em honra de São Vicente Ferrer e Rolando participou, tocando o órgão. Terminada a cerimónia, antes de sair, combinou com os cantores para “cantar a Missa” também no dia seguinte. Saindo da igreja, enquanto seus pais iam trabalhar no campo, Rolando, com os livros em baixo do braço, dirigiu-se como de costume a estudar no bosque a poucos passos de sua casa. Vestia, como sempre, sua veste talar negra. Ao meio dia, seus pais o esperaram em vão para o almoço. Preocupados, puseram-se a procurar. Entre os livros, sobre a grama, encontraram um bilhete:“Não o procurem. Veio um momento connosco. Os partigiani”. O pai e o Pe. Camellini, extremamente aflitos, começaram então a andar nos arredores, à procura do rapaz. Entretanto, Rolando, levado à força pelos partigiani a um esconderijo no bosque, iniciava sua via crucis. Foi despojado de sua batina, que os irritava, insultado, golpeado com a cinta nas pernas e esbofeteado. Permaneceu por três dias nas mãos de seus algozes, escutando blasfémias contra Cristo, insultos contra a Igreja e contra o sacerdócio. Segundo testemunhas, foi açoitado e sofreu outras indizíveis violências.

Um dos sequestradores, aparentemente, se comoveu, propondo deixa-lo partir. Mas outros recusaram, ameaçando de morte aquele que tinha proposto a soltura. Prevaleceu o ódio pela Igreja, pelo sacerdote, pelo traje que o representa e que aquele rapazinho nunca tinha querido deixar de usar. Decidiram mata-lo: “Amanhã teremos um padre a menos”. Levaram-no, sangrando, a um bosque próximo a Piane di Monchio (na província de Modena), onde havia uma fossa já escavada. Rolando entendeu que ia morrer, chorou, pedindo que sua vida fosse poupada. Com um pontapé o jogaram no chão. Então pediu para rezar pela última vez. Ajoelhou-se e depois dois tiros de revolver o fizeram rolar na vala. Foi coberto com poucas pás de terra e folhas secas. A batina do “padreco” tornou-se uma bola para chutar, sendo depois pendurada, como um troféu de guerra, sob o telhado de uma casa vizinha. Era sexta feira, 13 de Abril de 1945, comemoração do martírio do jovem Santo Ermenegildo (no ano de 585). Rolando tinha quatorze anos e três meses.

Por três dias, os pais e o Pe.Camellini o procuraram por toda a região, até que alguns partigiani os enviaram a Piane di Monchio. Lá encontraram um chefe partigiano comunista, a quem perguntaram:“Onde está o seminarista Rivi?” E ele respondeu: “Foi morto aqui, eu mesmo o matei, mas estou perfeitamente tranquilo”.

E indicou o lugar onde o jovem havia sido sepultado na véspera.

Pe.Camellini perguntou ainda ao partigiano: “Ele sofreu muito?” Aquele, mostrando seu revolver, replicou zombeteiro: “Com este não se sofre muito. Ele não se engana.”

Era o entardecer de sábado 14 de Abril de 1945. Chegando ao local do homicídio, o sacerdote não teve dificuldade em recuperar o cadáver do rapaz, que vestia apenas uma camiseta e uma calça rasgada. Tinha duas feridas: uma na têmpora esquerda e outra no ombro sobre o coração.

O rosto, sujo de terra, estava coberto de contusões, assim como o corpo.

O pai se ajoelhou ao lado de seu filho e o abraçou, chorando copiosamente.

Dois camponeses do lugar fabricaram, como puderam, um caixão de madeira. Pe. Camellini lavou o rosto de Rolando, o enxugou com seu lenço e arrumou o corpo no pobre ataúde.

Já era noite, de modo que só na manhã seguinte, no Segundo Domingo após a Páscoa, “Domingo do Bom Pastor”, o corpo de Rolando foi levado à igreja, em Monchio, onde Pe. Camellini celebrou a Missa pela alma de Rolando. Em pleno domingo, não se podia celebrar a Missa de Defuntos, mas os aleluias do Tempo Pascal sugeriam os anjos a recebê-lo no céu. As leituras reforçavam a mesma impressão: “Também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo para que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca (Is 53,9). Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se Àquele que julga com justiça” (1Pedro 2, 21-25)..

Na presença do pai Roberto e do Pe. Camellini, o pároco de Monchio escreveu em latim no registo paroquial, com extrema lucidez e coragem, a ata da morte e sepultura de Rolando: “15 de Abril de 1945. Rolando Rivi, filho de Roberto Rivi e Albertina Canovi, solteiro, de San Valentino (Reggio Emilia) que, por mãos de homens iníquos, aos 14 anos de idade, no dia 13 do corrente Abril, às 19 horas, em comunhão com a Santa Madre Igreja, entregou sua alma a Deus. Seu corpo, hoje, feitas as sagradas exéquias e celebrada a Missa, foi sepultado no cemitério paroquial”. (Die decima quinta mensis aprilis 1945. Rivi Rolandus, filius Ruperti et Canovi Albertinae, statu celebs, e S. Valentino (Regii Lepidi) hic, aetate annorum 14, die 13 aprilis currentis, hora 19, per manus hominum iniquorum, in Comunione Sanctae Matris Ecclesiae, animam Deo reddidit. Cadaver autem eius, hodie, sacris persolutis exequiis, ac Missa celebrata, in coemeterio parochiali, sepultum est).

O pai de Rolando e o vigário de San Valentino voltaram pesarosamente a sua cidade, para dar a terrível notícia à mãe, que esperava em vão.

O fato se difundiu rapidamente, deixando a todos consternados diante de tanta barbárie.

Terminada a guerra, uma grande multidão de paroquianos esperou em 29 de maio de 1945, o traslado do corpo para San Valentino. A igreja acolheu em silêncio e comoção o pequeno mártir.


Fonte: http://www.montfort.org.br/um-jovem-seminarista-assassinado-por-nao-deixar-a-batina/

Como S. Francisco fez uma Quaresma em uma ilha do lago de Perusa, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites e nada comeu além de meio pão.


Por ter sido o verídico servo de Cristo, S. Francisco, em certas coisas, quase um outro Cristo dado ao mundo para a salvação dos homens, Deus Pai o quis fazer em muitas acções conforme e semelhante a seu filho Jesus Cristo.

Como no-lo demonstrou no venerável colégio dos doze companheiros, e no admirável mistério dos sagrados estigmas e no prolongado jejum da santa Quaresma, que fez deste modo.


Indo por uma feita S. Francisco, em dia de Carnaval, ao lago de Perusa, à casa de um seu devoto, onde passou a noite, foi inspirado por Deus para observar aquela Quaresma em uma ilha do dito lago.

Pelo que S. Francisco pediu àquele devoto, pelo amor de Cristo, o levasse em sua barquinha a uma ilha do lago, onde não habitasse ninguém, e isto fizesse na noite de Quarta-feira de Cinzas sem que nenhuma pessoa o percebesse.

E ele, pelo amor da grande devoção que tinha a S. Francisco, solicitamente atendeu-lhe ao pedido e transportou-o à dita ilha: e S. Francisco só levou consigo dois pãezinhos.

E, chegando à ilha e o amigo partindo para voltar a casa, S. Francisco rogou-lhe por favor que não revelasse a quem quer que fosse a sua permanência na ilha e só o fosse procurar na Quinta-feira Santa; e assim o outro se foi.

E S. Francisco ficou sozinho: e ali não havendo habitação em que ficasse, entrou num bosque muito copado, no qual muitos espinheiros e arbustos se reuniam a modo de uma cabana ou de uma cova, e naquele lugar se pôs em oração e a contemplar as coisas celestiais.

E ali passou toda a Quaresma sem comer nem beber, além da metade de um daqueles pãezinhos, conforme o que encontrou o seu devoto na Quinta-feira Santa, quando o foi procurar: o qual achou dois pãezinhos, um inteiro e outro pela metade.

E a outra metade acredita-se S. Francisco ter comido em reverência ao jejum do Cristo bendito, que jejuou quarenta dias e quarenta noites sem tomar nenhum alimento material.

E assim, com aquele meio pão, expulsou de si o demónio da vanglória e, a exemplo de Cristo, jejuou quarenta dias e quarenta noites.

E depois, naquele lugar, onde S. Francisco fizera tão maravilhosa abstinência, realizou Deus muitos milagres pelos méritos dele; pela qual coisa começaram os homens a edificar casas e habitá-las.

E em pouco tempo construiu-se um bom e grande castelo e houve um convento de frades, o qual se chama o convento da Ilha; e ainda os homens e mulheres daquela aldeia têm grande reverência por aquele lugar, onde S. Francisco passou a dita Quaresma.

Em louvor de Cristo. Ámen.

I Fioretti

Soneto sobre a Imaculada Conceição da boca de um possesso


Em 1823, dois sacerdotes dominicanos, Pes. Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando um menino possesso, de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demónio, obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demónio compôs o seguinte soneto:


"Vera Madre son io di un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui benché sua Madre.
Ab aeterno nacque Egli ed è mio Figlio,
nel tempo io nacqui eppur gli sono Madre.

Egli è il mio Creator ed è mio Figlio,
son io sua creatura e gli son Madre.
Fu prodigio divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e me aver per Madre.

L’esser quasi è comun, tra Madre e Figlio,
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio
o senza macchia s’ha da dir la Madre"


“Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,
E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;
Ele de eterno existe e é meu filho,
E eu nasci no tempo e sou sua mãe.

Ele é meu Criador e é meu filho,
E eu sou sua criatura e sua mãe;
Foi divinal prodígio ser meu filho
Um Deus eterno e ter a mim por mãe.

O ser da mãe é quase o ser do filho,
Visto que o filho deu o ser à mãe
E foi a mãe que deu o ser ao filho;

Se, pois, do filho teve o ser a mãe,
Ou há de se dizer manchado o filho
Ou se dirá Imaculada a mãe.


Conta-se que o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um profundíssimo argumento de razão em favor da Imaculada.

Nossa Senhora foi a restauradora da ordem perdida por meio de Eva. Eva nos trouxe a morte, Maria nos dá a vida. O que Eva perdeu por orgulho, Nossa Senhora ganhou por humildade.

O Dogma da Imaculada Conceição foi proclamado pelo Papa Pio IX, cercado de 53 cardeais, de 43 arcebispos, de 100 bispos e mais de 50.000 romeiros vindos de todas as partes do mundo, no dia 8 de Dezembro de 1854.

Passados apenas 3 anos dessa solene proclamação, em 11 de Agosto de 1858, Nossa Senhora dignou-se aparecer milagrosamente quinze dias seguidos, perto da pequena cidade de Lourdes, na França, a uma pobre menina, de 13 anos de idade, chamada Bernadette.

No dia 25 de Março, Bernadette suplicou que Nossa Senhora lhe revelasse seu nome. Após três pedidos seguidos, Nossa Senhora lhe respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição“.


Fontes: http://www.lepanto.com.br/catolicismo/doutrina-catolica/a-imaculada-conceicao/
http://www.mariadinazareth.it/La%20Donna%20e%20il%20drago/3.htm
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